sábado, 3 de outubro de 2009

Habilidade de Sustentar-se. Você tem?


Alguém já parou pra pensar de onde é que a palavra sustentabilidade foi derivada ou o que ela significa?  Minha turma de conclusão do curso de Engenharia Civil se chama:  “Construindo com sustentabilidade”.  Título sugerido nos últimos minutos do segundo tempo, ou como dizemos “just-in-time” de mandarmos fazer a nossa placa de formatura.  Afinal, para a fabricação da placa nós precisávamos dar um nome ao nosso grupo.

De acordo com o relatório de Brundtland (1987) a palavra significa:  “suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas”.  Na verdade, se pararmos para pensar, o que é que isso representa pra nós?  Absolutamente nada, correto?  Pois, a habilidade de sustentar-se é completamente subjetiva e vai depender das necessidades individuais e do referencial na qual é julgada.

Por exemplo:  é fato conhecido que a produção de energia derivada do carvão é a mais poluente de todas em termos de emissão de dióxido de carbono, o famoso CO2, unidade na qual medimos o potencial de aquecimento global.  Por dedução entendemos que qualquer coisa que derive energia e que carvão não seja sua fonte é ambientalmente mais limpa.  Não é? Simples assim...

De forma alguma, tudo depende do contexto.  Todos os aspectos do ciclo de vida do que está em questão precisam ser analisados e peculiarmente interpretados.  A China é um ÓTIMO exemplo disso!  Considerada a maior nação a produzir energia “suja” está sempre em discussão nos encontros dos países em prol da redução do aquecimento global.  A China produz energia ainda não o suficiente pra atender a demanda de sua população!  Criou o projeto mais ambicioso de hidroelétrica do mundo, a Three Gorges (Três Gargantas).  Parte concluída em 2006, um projeto de US$ 22,5 bilhões, empregabilidade de 26.000 trabalhadores e com capacidade de gerar uma potência de 18.200 megawatts, potência quase que equiparada com a da usina de Itaipu.  Logo de cara fiquei abismada com tal “monstruosidade”.  Meu Deus, somos mesmo capazes de criar algo assim?

Fiz a leitura do texto para discutirmos em sala de aula, aliás abro mais um parênteses aqui só para registrar que esta disciplina foi uma divisora de águas em minha vida, e para minha surpresa fui-me abatida por uma tristeza imensa ao ver os depoimentos de milhares de pessoas que estavam sendo relocadas e que estavam prestes a ter sua história naufragada diante de seus olhos.  O passado já é uma total complexidade para se resgatar só com base em nossas lembranças e memórias, imaginem o quanto será difícil de se resgatar quando não se há mais referenciais.  O lado humanístico em mim gritou bem alto nessa hora e não me contendo tive que me pronunciar!  Outra surpresa!  Carol, querida:  os homens têm feito isso a vida toda, por que é que você acha que existem museus?!

Como já não bastasse a minha solitária indignação, fui de repente levada a olhar o outro lado da moeda!  Não só apenas a construção desta hidroelétrica não cessará o problema da China, aliás não chegará nem perto, mas como também, toda área inundada que possui uma vasta vegetação, provocará um efeito de aquecimento global quase 20 vezes maior do que o dióxido de carbono em um período de 100 anos.  Vegetação submersa e em decomposição emana o gás metano, que é muito mais potente e nocivo do que o CO2!

Sustentabilidade eventualmente tem que ser olhada sobre três perspectivas:  social, econômica e ambiental.  O ideal seria unir os três itens, mas a verdade é que sempre depende dele:  depende do nosso referencial.  Você se considera uma pessoa sustentável?

2 comentários:

  1. Ótimo seu artigo, Kerol. Veio-me outra indagação: num país de proporções gigantescas como a China, qual seria o plano "B", capaz de suprir suas necessidades de forma sustentável?
    Respondendo a sua pergunta, tirando evitar os desperdícios básicos de água e comida, jogar "lixo no lixo", eu não me considero uma pessoa sustentável porque minha 'sustenbilidade' permanece ainda na ideologia:uso carro a diesel, bens de consumo ainda não foram divididos entre supérfluo e necessário...
    Mas confesso que tenho parado bastante para pensar sobre o assunto. Lamento que diante a violência estarmos condicionando nossos filhos a viver em clausura em nossos 'novos castelos'. Lamento esse governantes 'cegos' e corruptos que são incapazes de reverter alguns quadros. Lamento pela inexistência de ciclovias e calçadas dignas para que pudéssemos nos locomover dignamente.
    Meu sentimento é de que essa indagnação anda se proliferando, entretanto o 'fazer' é que anda muito lento pra velocidade que o mundo está tomando...

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  2. Stephanie,
    Adorei sua resposta! É exatamente este tipo de indagação que eu tou querendo despertar. Qual seria o plano B para um país de grandes proporções como a China?! A verdade é que infelizmente ainda não há plano B.
    A construção da hidroelétrica não é considerado nem mesmo um paliativo, seriam/serão necessárias pelo menos algumas dezenas mais de plantas a base de carvão para que o país possa começar a ter capacidade de atender sua demanda interna. Pois é, infelizmente o carvão é um recurso extremamente abundante no país e portanto torna a produção de energia derivada dele econômicamente mais viável.
    Seu questionamento sobre nossa condição, ou a falta dela, interna será assunto da minha próxima "publicação". Fique ligada :-) e continue mandando seus comentário!

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